Vítima escapa de golpe bancário e rouba celular de criminoso

Uma vítima de golpe bancário conseguiu escapar da armadilha e ainda roubar o celular do criminoso na última sexta-feira (4). O novo esquema praticado no Brasil pede uma selfie para confirmar o recebimento de presentes falsos, usando a identidade da vítima para autenticar financiamentos no nome dela. Paulo Gonçalves contou no Twitter como reconheceu o perigo e evitou ser enganado.

Ainda ontem às 16h, Paulo compartilhou na rede social que suspeitava que iria receber um golpe. Segundo ele, dois bancos haviam consultado seu score no Serasa e uma floricultura com remetente oculto entrou em contato para entregar um presente — tudo no mesmo dia.

Golpe da selfie de confirmação

Ao descer na portaria pela primeira vez para receber a suposta encomenda, o entregador falso pediu o endereço completo da vítima. Cinco minutos após a entrega, foi solicitado que Paulo descesse novamente para tirar uma foto de comprovação do serviço. Nesse intervalo, o golpista teria preenchido os dados da vítima no aplicativo do banco e aberto a tela de autenticação com selfie para liberar o empréstimo.

Sabendo que se tratava de um golpe, a vítima roubou o celular do falso entregador e saiu correndo, enquanto o golpista fugia de moto. Paulo registrou um boletim de ocorrência na delegacia com o dispositivo do criminoso, que trazia informações sobre a identidade do farsante e de outros golpistas da região.

Ciente do perigo, Paulo explica que passou dados errados sobre seu endereço e filmou todo o processo do golpe com seu próprio celular. A vítima também disse que os golpistas tampam a parte superior do celular com fita para que, na hora da selfie, ninguém perceba que a tela é de um app de instituição bancária — neste caso, o empréstimo seria feito no Itaú, com autenticação biométrica.

Golpistas cobrem tela do celular com fita para vítima não perceber o app de bancoFonte:  Paulo Gonçalves 

Precauções e boletim de ocorrência

Em entrevista ao TecMundo, Paulo Gonçalves disse que pesquisou sobre golpes comuns no Brasil após assistir uma reportagem na TV sobre o perigo de ter o celular roubado desbloqueado. “Acabei encontrando uma matéria sobre o golpe do Motoboy e entendi toda a dinâmica. Contratei um plano da Serasa para acompanhar tentativas de financiamento em banco no meu nome e foi o que me fez entender, com antecedência, que um golpe estava ocorrendo”, explica.

Na delegacia, a vítima também conta que os policiais não tinham ciência sobre o crime, e disseram que, nesses casos, é muito difícil pegar os responsáveis, mas que com os dados fornecidos a chance de sucesso seria alta. “Me orientaram a ir até a delegacia de crimes cibernéticos. Ao final do B.O na polícia civil, chegou na delegacia uma vítima do crime que eu quase tomei”, conta Paulo.

A vítima também ressalta que reagir em casos como esse pode ser perigoso. “Nenhuma das polícias indicou qual seria o certo a se fazer, coletaram o celular como evidência e pegaram informações importantes […]. Eu não repetiria o que fiz, mas fiz pois sabia que um entregador não necessita de arma, pois o que ele precisava era só tirar selfie, sem recorrer à violência.”

Atenção com a biometria facial

A identificação biométrica é muito usada para realizar operações financeiras remotas. Para prevenir fraudes com fotos antigas, por exemplo, bancos pedem que o cliente tire uma selfie instantânea para finalizar as operações.

Utilizando desse recurso dos aplicativos e tendo acesso a informações bancárias vazadas, golpistas tentam fazer um empréstimo no nome da vítima em aplicativo ou site de banco. O esquema de entregas falsas tem objetivo de completar o último passo: a biometria facial da pessoa. Ao pedir a “foto de confirmação”, o entregador falso já está com a etapa de autenticação aberta no aplicativo.

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