Crysis Remastered Trilogy é uma ótima chance de revisitar jogos icônicos

O ano de 2007 foi espetacular para jogos eletrônicos como um todo, especialmente para os jogos de tiro em primeira pessoa. Naquele ano, foram lançados títulos como BioShock, Team Fortress 2, Call of Duty 4: Modern Warfare, Half-Life 2: Episode Two e S.T.A.L.K.E.R: Shadow of Chernobyl. A Crytek, uma desenvolvedora alemã não tão conhecida na época (ainda que bem-sucedida), também marcou presença, com o lançamento do primeiro Crysis.

O legado de Crysis, porém, seria bem diferente dos seus contemporâneos. Enquanto outros serviram de referência em termos de game design, o jogo da Crytek ficou conhecido pela sua ambição técnica. Os visuais eram impressionantes para a época, com altos níveis de destruição do cenário, fazendo a maior parte dos PCs gritar em agonia. Consoles? Só receberiam o jogo em 2011.

Apesar dessas e de outras dificuldades, Crysis conseguiu ser um sucesso comercial, recebendo uma expansão e duas sequências.

Quatorze anos depois daquele primeiro jogo, chegamos ao lançamento Crysis Remastered Trilogy (PS4, Xbox One, PC e Switch), resultado de uma parceria da Crytek com a Saber Interactive. Como o nome indica, trata-se de uma coletânea dos três principais games da franquia (Crysis, Crysis 2 e Crysis 3) com uma série de melhorias visuais. Ainda assim, mesmo o título mais recente do pacote não é exatamente novo — Crysis 3 é de 2013 — e não estamos falando de remakes, de forma que os visuais não podem mais servir como distrações para eventuais falhas. O que, então, Crysis tem a oferecer em 2021?

Ainda não é o pacote definitivo

Antes de prosseguir, vale a pena fazer algumas considerações sobre as diferentes formas de jogar Crysis Remastered Trilogy e sobre o conteúdo da coletânea como um todo.

Os visuais de Crysis sempre estiveram à frente da sua época.Fonte:  Steam 

A versão remasterizada de Crysis 1 que temos nesse pacote foi lançada originalmente no ano passado, sendo atualizada diversas vezes no período que se seguiu. A principal adição nesse período foi o suporte ao PS5 e ao Xbox Series X|S, o que foi feito sem executável próprio — a versão de PS4, por exemplo, vai receber algumas melhorias quando jogada no PS5, mas ainda é a versão do console “antigo”. Um ponto importante é que várias das versões de consoles têm múltiplos modos gráficos, resultando em um bom número de formas de jogar. Pode não ser simples selecionar a versão e/ou o modo gráfico mais adequado para jogar.

Crysis 2 Remastered e Crysis 3 Remastered, por outro lado, são bem mais simples e consistentes nesse aspecto, com apenas um modo visual por console e taxas de quadros por segundo bem estáveis nas diferentes plataformas. O suporte a PS5 e Xbox Series X|S nesses dois jogos também é feito sem um executável próprio.

Especialmente em Crysis 1, elementos como resolução e performance podem exibir muitas variações entre plataformas/modos gráficos. Para essa análise, foram testadas as versões de PS5 dos três jogos, sendo que Crysis 1 foi jogado principalmente no modo Performance. Todas as três remasterizações buscam atingir 60 quadros por segundo no console mais recente da Sony, não importando o modo gráfico.

Sobre o pacote: os modos multiplayer das versões originais não estão presentes, assim como Crysis Warhead (a expansão de Crysis 1). A ausência dos modos multiplayer não é uma tragédia, já que não eram muito populares nem nos lançamentos das versões originais. A omissão em relação a Warhead, por outro lado, é mais sentida: a expansão ainda é exclusiva do PC e há uma série de considerações a serem feitas antes de jogar atualmente. Bom, pelo menos agora é possível jogar o nível Ascension de Crysis 1 em consoles… Na maior parte dos consoles, pelo menos.

De forma geral, mesmo sem uma peça importante, o volume de conteúdo dessa coletânea é suficiente para se ter uma boa ideia do que a série representou. É só uma pena que nenhuma das remasterizações aqui presentes esteja disponível em português (nem mesmo legendas).

Norte-coreanos, armas futuristas e aliens em uma ilha: Crysis 1

Com a parte mais “burocrática” superada, podemos falar dos jogos. E, dos três, sem dúvida o mais interessante de se jogar em 2021 é o Crysis original. Mesmo que os seus feitos técnicos já não sejam mais tão impressionantes, ainda é um excelente retrato da época em que foi lançado.

A ambientação é um dos pontos fortes do primeiro CrysisA ambientação é um dos pontos fortes do primeiro Crysis.Fonte:  Steam 

Ambientado no futurista ano de 2020, Crysis 1 é um jogo de tiro em primeira pessoa que acompanha um esquadrão de elite equipado com nanosuits, armaduras que dão superpoderes aos usuários. Tal esquadrão recebe a missão de investigar o desaparecimento de arqueólogos em uma ilha após norte-coreanos invadi-la — aparentemente a Coreia do Norte se tornou uma potência após 2007. Naturalmente, não demora para as coisas começarem a dar errado e membros do esquadrão começarem a ser abatidos por forças que claramente não são humanas. O protagonista, de codinome “Nomad”, parte para investigar as mortes ao mesmo tempo em que lida com os norte-coreanos.

É uma narrativa surpreendentemente interessante, porque a Crytek tenta criar um mistério em torno do que seria a ameaça real e segura a revelação o máximo possível. Claro, quem joga Crysis 1 em 2021 já sabe de antemão que os vilões reais são alienígenas, porém ainda é interessante ver como, aos poucos, os elementos da história vão sendo introduzidos. Funciona, mesmo que não seja algo digno de prêmios.

A nanosuit permite abordagens criativas para cada encontro.A nanosuit permite abordagens criativas para cada encontro.Fonte:  Steam 

Aliás, a estrutura da história é um ponto bem importante, já que a mudança de foco dos norte-coreanos para os alienígenas ocorre no exato momento em que há uma mudança significativa no que diz respeito ao design de níveis (ou vice-versa).

Enquanto os norte-coreanos são os principais inimigos, os níveis de Crysis 1 funcionam como pequenos mundos abertos. As áreas são realmente amplas e a topografia dos cenários garante que há sempre múltiplas maneiras de abordar um determinado objetivo. Há até mesmo pequenas vilas e estações fora do caminho ideal, incentivando a exploração e contendo itens/armas para ajudar nos objetivos principais. Veículos também são grande parte da experiência, embora quase sempre seja possível simplesmente caminhar pelo cenário todo. Os maiores diferenciais de Crysis 1, porém, são a nanosuit e a física do jogo.

As diversas opções da nanosuit.As diversas opções da nanosuit.Fonte:  Voxel 

A nanosuit, em termos de jogabilidade, nada mais é do que um botão que permite selecionar entre quatro habilidades: superforça (pulos mais altos ou socos mortais), supervelocidade, armadura extra e invisibilidade. Todas essas habilidades usam a mesma barra de energia, então é preciso saber quando usar cada uma e por quanto tempo. Quando combinado com o design de níveis, a nanosuit dá um controle muito grande do campo de batalha ao jogador, estimula a criatividade e torna cada cenário um verdadeiro parque de diversões. É possível até mesmo optar por uma abordagem mais furtiva, abusando do poder de invisibilidade.

A propósito: em Crysis Remastered e em outras versões de consoles do jogo, o modo Classic Nanosuit, que é o modo original do jogo e que permite a seleção manual das habilidades, está desativado por padrão. É altamente recomendável ativá-lo antes de começar o jogo.

As construções em Crysis 1 são tão destrutíveis que beira o cômico.As construções em Crysis 1 são tão destrutíveis que beira o cômico.Fonte:  Voxel 

A última peça do quebra-cabeça de Crysis 1 é a física do game. A movimentação do personagem é um pouco estranha (o Nomad parece flutuar), assim como o feedback das armas, porém o mais importante é a destruição dos cenários. A grande maioria das estruturas pode ser destruída facilmente, como se fossem feitas de papel, o que tem um efeito gigantesco no resto do jogo. Torres, casas, cobertura… é difícil encontrar um elemento do cenário que não desmorone tão facilmente quanto um castelo de cartas. É realista? Com certeza não. Mas é impressionante para a época e o mais importante: é consistente, o que significa que o jogador pode elaborar estratégias em torno desse elemento.

Então, em certo ponto da campanha, os alienígenas se tornam os principais inimigos. Nesse momento, Crysis 1 passa de pequenos mundos abertos para uma série de níveis muito lineares, com set pieces elaboradas. Aí entra aquele aspecto do qual falamos no começo do texto: a transição pela qual o gênero estava passando em 2007. Os primeiros níveis de Crysis 1 representam uma era em que os FPS tinham formatos mais experimentais, em que o jogador tinha um controle maior da experiência. O restante de Crysis 1 é uma prévia do que viria a ser o futuro: uma série de corredores estreitos em que o jogador é forçado a fazer uma sequência muito específica de ações.

Os alienígenas de Crysis 1 lembram algumas das máquinas da trilogia Matrix.Os alienígenas de Crysis 1 lembram algumas das máquinas da trilogia Matrix.Fonte:  Voxel 

Não que tenha algo de errado com o segundo tipo, intrinsecamente. Jogos como Call of Duty 4 são merecidamente considerados clássicos e a segunda parte de Crysis 1 também não é nada ruim. A primeira parte de Crysis 1, por outro lado, hoje funciona como uma lembrança do que os FPS podem ser para além da fórmula disseminada pela Infinity Ward.

Portanto, Crysis 1 é como dois games em um e a transição que ocorre ao longo do jogo é um reflexo da transição pela qual o gênero estava passando. Esse aspecto, por si só, já é suficiente para justificar uma nova visita ao agora icônico título de tiro da Crytek.

Por fim, um pequeno comentário sobre a parte técnica: talvez seja surpreendente para o consumidor médio ver quedas significativas na taxa de quadros por segundo em um jogo “antigo” como esse rodando em um hardware novo, como o PS5, mesmo no modo Performance. É muito difícil fazer críticas nesse sentido sem conhecer profundamente a forma como a CryEngine (motor gráfico do jogo) funciona, só é algo que pode parecer estranho.

Nova York, Nova York: Crysis 2

Crysis 2, originalmente lançado em 2011, também é interessante, embora seja por motivos bem diferentes que o seu antecessor. Foi amplamente especulado, na época do lançamento inicial, que a motivação por trás de grande parte das mudanças em relação a Crysis 1 foi a necessidade da sequência de rodar melhor no PS3 e no Xbox 360. A história completa, porém, provavelmente é um pouco mais complicada que isso.

A Nova Iorque de Crysis 2 é bem mais colorida do que outras representações da cidade em jogos.A Nova York de Crysis 2 é bem mais colorida do que outras representações da cidade em jogos.Fonte:  PS Store 

Ambientado na cidade de Nova York em 2023, Crysis 2 acompanha o fuzileiro naval Alcatraz, que recebe a nanosuit de Prophet, o líder do esquadrão do primeiro jogo, em meio a uma invasão alienígena. E também tem uma infecção letal no meio, a qual está sendo espalhada pelos aliens, mas isso não importa muito. A narrativa como um todo, na verdade, tem uma série de falhas e consiste basicamente em uma série de pessoas mandando Alcatraz para diferentes pontos da cidade, apenas para mudarem de opinião quando estão perto do objetivo. Serve para dar um bom passeio pelos pontos turísticos da cidade, ainda que a história pareça não ter foco. Pelo menos a Nova York aqui apresentada é bem mais colorida do que em vários outros títulos.

A maior mudança em relação ao game original, contudo, está no design de níveis: enquanto Crysis 1 ainda era, em sua maior parte, composto de níveis que eram pequenos mundos abertos, Crysis 2 é inteiramente uma série de corredores muito estreitos. Não apenas isso: toda a destruição possível no jogo anterior deu lugar a cenários quase que completamente estáticos e momentos bombásticos cuidadosamente roteirizados. Partes de veículos também foram quase que completamente removidas.

Crysis 2 é essencialmente mais um dos muitos clones de Call of Duty 4 que foram criados naquela época. E, considerando que o game rodava extremamente mal no PS3 e no Xbox 360, talvez a inspiração no jogo da Infinity Ward tenha sido o maior motivador por trás dessas mudanças — em vez de alguma consideração técnica.

O Central Park de Crysis 2.O Central Park de Crysis 2.Fonte:  PS Store 

Seja como for, trata-se de um jogo competente. As diferentes armas têm feedbacks satisfatórios, a movimentação é muito mais responsiva que a do primeiro título e as diferentes arenas ao longo do caminho linear são bem pensadas, com uma boa variedade de inimigos — sendo que cada tipo requer uma abordagem diferente. Furtividade, por outro lado, se tornou bem mais difícil. As situações do jogo distintas não parecem ter sido planejadas com uma abordagem furtiva em mente.

Já o uso dos poderes da nanosuit ficou muito mais automatizado e simplificado, não sendo mais necessário selecionar todos os modos manualmente. É uma mudança que tem um lado bom e outro ruim: por um lado são menos barreiras entre o jogador e a ação, por outro há um controle bem menor da experiência.

Isso não parece saudável.Isso não parece saudável.Fonte:  Voxel 

No fim das contas, Crysis 2 tem qualidade o suficiente para que a campanha não seja entediante ou algo do tipo. O problema maior é que, hoje, é um jogo que dá a impressão de uma Crytek no piloto automático, simplesmente replicando o que estava acontecendo no resto da indústria e lembrando de vez em quando que tinha alguns diferenciais.

Pelo menos, com essa remasterização, agora a performance nos consoles é excelente, assim como a qualidade da imagem.

Bem-vindo (de volta) à floresta: Crysis 3

Lançado em 2013, na véspera de uma nova geração de consoles e após um período curto de desenvolvimento, Crysis 3 foi recebido sem muito alarde e esquecido rapidamente. Compreensível, claro, já que até mesmo a Crytek parecia estar mais focada em seus outros títulos — notavelmente, Ryse: Son of Rome —. Em retrospecto, podemos dizer que o tratamento dado a Crysis 3 na época foi uma grande injustiça.

Crysis 3 começa com uma fuga da prisão.Crysis 3 começa com uma fuga da prisão.Fonte:  PS Store 

A história de Crysis 3 se passa 24 anos após Crysis 2, nas ruínas do que um dia foi Nova York. A natureza retomou o seu espaço e os altos prédios foram tomados por árvores e grama. A C.E.L.L. agora é um conglomerado que controla a eletricidade no mundo, escravizando a humanidade, e Psycho (um dos integrantes do esquadrão de Crysis 1) se junta à resistência para libertar todos ou algo assim.

No começo do jogo, Prophet (o personagem jogável) é libertado por Psycho de uma estação da C.E.L.L., com o intuito de ajudar a resistência. Em comparação com o seu antecessor, a narrativa de Crysis 3 tem menos personagens e organizações envolvidos. A história tem muito mais foco e é mais simples de acompanhar.

O jogo ainda tem momentos mais roteirizados, apesar de ser mais aberto que o antecessor.O jogo ainda tem momentos mais roteirizados, apesar de ser mais aberto que o antecessor.Fonte:  PS Store 

A escolha de ambientação, uma floresta sobre os escombros de Nova York, de certa forma representa as ideias de Crysis 1 retomando o seu lugar após a mudança brutal causada por Crysis 2. Porque esse é o tema central de Crysis 3: pegar a fundação deixada pelo segundo game, e, a partir disso, enfatizar os elementos que diferenciam a série dos concorrentes — alguns desses negligenciados desde o jogo original.

A nanosuit, por exemplo, funciona de forma muito parecida com o jogo de 2011. É até um pouco mais simplificada. A estrutura e os sistemas construídos em torno, por outro lado, dão muito mais oportunidades para o uso criativo das habilidades.

Crysis 3 mantém a linearidade de Crysis 2, só que os níveis do terceiro jogo são muito mais amplos. Se as fases de Crysis 2 remetiam a Call of Duty, as de Crysis 3 são mais parecidas (em escala) com algum Halo. Infelizmente, os cenários continuam estáticos, mas há muitas opções para abordar os objetivos, mesmo quando o ambiente parece um tanto mais afunilado. É interessante ver, por exemplo, que até uma estreita represa tem múltiplas rotas para infiltração, incluindo dutos de ar. Os mapas maiores também garantem que veículos tenham um papel muito maior do que no título anterior.

O arco é bem versátil, mas não muito útil em combate aberto.O arco é bem versátil, mas não muito útil em combate aberto.Fonte:  PS Store 

Talvez por ter sido negligenciada em Crysis 2, a abordagem furtiva foi uma das áreas que mais recebeu adições em Crysis 3. A mais óbvia delas, claro, é aquela que está na capa do game: o arco. É possível selecionar entre vários tipos de flechas (explosivas, elétricas, normais etc.) e até mesmo selecionar a força com a qual o Prophet puxa a corda do arco. O bom número de combinações possíveis estimula a criatividade. Além disso, diferentemente de outras armas, usar o arco não desativa o modo de invisibilidade.

Outra boa adição para aqueles que buscam evitar conflito direto é a habilidade de hackear certos aparelhos. Hackear uma torreta automatizada fará com que ela atire nos antigos aliados, enquanto que hackear um controlador de campo minado vai abrir um novo caminho (e explodir inimigos desavisados no processo). Assim como o arco, a habilidade de hackear é mais um elemento que adiciona um grau de criatividade às abordagens.

O arco e a habilidade de hackear se aliam ao design de níveis para criar uma experiência bem favorável para abordagens mais furtivas. A palavra-chave aqui é “favorável”: não é algo obrigatório de forma alguma, sendo apenas mais uma possibilidade no arsenal do jogador.

Já o combate direto não recebeu alterações tão significativas. Tudo bem, porque Crysis 2 já era uma boa base nesse sentido. A movimentação e as armas em Crysis 3 funcionam essencialmente da mesma forma que no jogo anterior, ou seja, são muito responsivas e satisfatórias. Um ponto interessante é que agora correr não gasta mais energia da nanosuit, tornando o combate direto mais dinâmico.

Não poderiam faltar novos tipos de alienígenas.Não poderiam faltar novos tipos de alienígenas.Fonte:  PS Store 

O cenário geral, portanto, é de um jogo que reflete a história da série, mas não é limitado por ela, tomando várias medidas próprias para enriquecer os diferentes estilos de jogo e estimulando a criatividade do jogador. As arenas também são muito bem pensadas, tendo uma progressão interessante (destaque novamente para o supracitado nível que envolve uma represa) e apresentando uma boa variedade visual.

Crysis 3 não é perfeito, claro. A história ainda cai em algumas armadilhas em certos trechos, com decisões questionáveis que se acumulam conforme o final se aproxima. Também é um jogo significativamente mais curto que os anteriores — o que é compreensível, mas ainda assim deixa o desejo de “quero mais”. Por fim, ainda que a abordagem furtiva tenha sido muito melhorada de forma geral, os últimos níveis incentivam bastante o combate direto.

Apesar desses defeitos (ou “áreas que poderiam ser melhoradas”), Crysis 3 é um game que merecia uma recepção muito melhor do que recebeu na época do lançamento. Ainda hoje é um jogo muito divertido, e o mais consistente da trilogia. Com essa remasterização, as antigas dificuldades técnicas foram enfim superadas, sendo possível aproveitar esse título com taxas de quadros estáveis em consoles.

Ainda que a idade apareça em alguns aspectos, os visuais de Crysis 3 não deixam de ser impressionantes.Ainda que a idade apareça em alguns aspectos, os visuais de Crysis 3 não deixam de ser impressionantes.Fonte:  Epic Games Store 

Conclusão

Apesar dos tropeços, cada um dos jogos de Crysis Remastered Trilogy é interessante à sua própria maneira e, sim, todos os três ainda são divertidos. Além disso, ao entregar versões competentes e atualizadas desses jogos, a Crytek e a Saber Interactive oferecem aos jogadores uma oportunidade de entender um pouco melhor as transformações pelas quais os FPS passaram naquele período entre 2007 e 2013.

É o suficiente para despertar a imaginação: como um Crysis 4 refletiria as transformações que ocorreram desde então?

Nota Voxel: 80

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