Análise de Ruined King: Uma História de League of Legends

League of Legends é hoje uma das maiores franquias do planeta, logo não é de se surpreender que a Riot Games esteja expandindo a marca para produtos fora do jogo clássico. Desde grupos musicais (como K/DA e True Damage), passando por séries (como a excelente Arcane), é notável a tentativa da empresa de levar o universo de Runeterra para o público fora do gênero MOBA.

Ruined King: A League of Legends Story é mais uma vertente deste trabalho, trazendo os heróis e história da franquia para dentro do gênero RPG. Produzido pela Airship Syndicate e publicado pela Riot Forge, estúdio criado para habilitar estúdios parceiros a produzir spin-offs de League of Legends, o título é o primeiro jogo dentro do universo de Runeterra não produzido pela própria Riot Games. Será que o game consegue traduzir o rico universo de LoL para fora de Summoner ‘s Rift com sucesso?

Escolha sua lane

A primeira vista Ruined King pode parecer como uma “skin” de Battle Chasers: Nightwar, último projeto da Airship Syndicate, mas logo se nota algumas diferenças que dão vida própria ao primeiro lançamento da Riot Forge. Primeiramente vamos a semelhanças: o jogo, assim como seu antecessor espiritual, é um RPG isométrico enquanto se anda pelo mapa e se resolvem os diferentes puzzles presentes nesse, mas quando um combate é iniciado a perspectiva muda para um RPG por turnos mais tradicional, onde cada personagem se posiciona em uma ordem de iniciativa que define a ordem das ações na batalha.

Aqui é onde entra a principal novidade adicionada pela desenvolvedora: o sistema de lanes. Embora o nome seja emprestado de League of Legends, o conceito aplicado aqui em nada remete a divisão de mapas do MOBA, o objetivo do sistema é expandir ainda mais a mecânica de iniciativas das batalhas.

Cada campeão pode conjurar as habilidades de três diferentes formas (rápida, normal ou forte), o que os posiciona, após o tempo específico de conjuração, em uma das três rotas de combate (velocidade, equilíbrio e poder). Usar os diferentes ataques de cada campeão em cada uma dessas rotas também muda a habilidade em si, ao passo que habilidades rápidas vão fazer você voltar a agir antes, elas terão muito menos força que uma habilidade usada na rota de poder.

Mas não são apenas as habilidades e iniciativas dos campeões que são influenciadas por essas escolhas, afinal algumas habilidades específicas de inimigos e alguns efeitos adversos, ou positivos, do próprio cenário também usarão esse sistema para definir os afetados por tais condições.

Com isso o sistema de combate acaba misturando os elementos tradicionais de um RPG por turnos com uma espécie de “dança” entre todos os envolvidos no combate, onde além de se preocupar em atacar os adversários, você estará constantemente visando se posicionar na iniciativa e nas melhores lanes, ao mesmo tempo que tenta fazer o mesmo com os adversários. Embora o sistema vá soar bem confuso nas primeiras horas de gameplay, não demora muito para pegar o jeito e engrenar junto com a mecânica.

Selecione seu campeão

Não é segredo para ninguém que o grande sucesso de League of Legends, em especial nos conteúdos que permeiam o jogo em si, vem da história e personalidade dos múltiplos personagens, ou campeões, de seu universo. Ruined King não só sabe disso como se aproveita em diversos momentos para explorar a sua narrativa e o backstory de cada um dos seis personagens jogáveis do game.

Cada um dos seis personagens jogáveis (Ahri, Yasuo, Illaoi, Pyke, Braum e Miss Fortune) possuem estilos de jogabilidade completamente diferentes e que realçam suas personalidades. Enquanto Braum possui um conjunto mais defensivo e que visa proteger seus aliados, Pyke possui habilidades ofensivas que visam derrubar um oponente de cada vez.

As histórias dos personagens são contadas por meio de cutscenes estilizadasFonte:  Steam 

Embora o gameplay do jogo seja altamente satisfatório, é nas interações dos personagens com o mundo e entre si que o título brilha, em especial para os que já são fãs de League of Legends. Ao longo de Ruined King algumas áreas e momentos (como ao descansar com a party) habilitam a possibilidade de ouvir alguma interação entre os personagens, normalmente explorando as diferentes visões de mundo e personalidades destes.

Esses momentos além de serem muito bem escritos são entregues de maneira incrivelmente satisfatória, em especial pela excelente dublagem do game, que é feita pelos mesmos dubladores do jogo original. É válido lembrar que essa dublagem está disponível em PT-BR (algo comum nos títulos da Riot Games), o que deixa essa experiência acessível também para os fãs brasileiros.

Equipe suas runas

Não é só com diferenças de gameplays para cada personagem que Ruined King consegue diversificar as coisas ao longo das mais de 30 horas que esperam o jogador. Assim como um RPG tradicional, diferentes equipamentos estarão disponíveis nos mapas, chefes e lojas ao redor do mundo de Runeterra. Esses itens, além de mudarem alguns stats básicos de cada campeão, podem conferir diferentes habilidades, fazendo com que a estratégia de cada campeão mude ao longo do jogo.

Isso aliado as duas formas de personalizar cada campeão: árvore de habilidades e sistema de runas, ambas completamente customizáveis a qualquer momento, fazem com que trocar de build ao longo do jogo seja uma tarefa simples e nem um pouco custosa. Enquanto com a árvore de habilidades podemos adicionar buffs para cada habilidade, com o sistema de runas podemos conferir buffs passivos, como chance de crítico ou aumento de vida, para cada campeão.

Estava fazendo Illaoi como um personagem tanque, mas ao derrotar um chefe encontrou um ídolo, arma da campeã, que fortalece muito seus atributos de ataque? É só navegar pelos intuitivos menus para dar refazer suas escolhas e alterar a build para focar em poderio ofensivo.

Explore Runeterra

Por se tratar de um jogo AA e lançado para a geração anterior de consoles a Airship Syndicates optou por adotar um estilo mais cartunesco para os gráficos do jogo, algo que se provou uma boa escolha.

De certa forma é possível dizer que há um notável esforço da empresa na apresentação dos campeões e das diferentes regiões de runeterra presentes no jogo (e que até então não tinham sido mostradas fora de produtos oficiais da Riot), mas isso não significa que alguns pontos acabam deixando a desejar. Um desses é a já citada parte visual, que embora tenha sido feita de forma cartunesca para minimizar a precariedade gráfica do título, mostra suas “pontas soltas” em alguns momentos, em especial nas habilidades ultimates de cada campeão.

Outro ponto negativo surge, ironicamente, aliado a um positivo. Embora andar por Águas de Sentina e pelas Ilhas das Sombras (algumas das regiões do game) seja interessante, graças à personalidade muito bem retratada de cada área, o minimapa e o péssimo sistema de subquests acabam tornando essa tarefa extremamente entediante após algumas horas. Isso aliado a ausência de um sistema satisfatório de quick travel vai fazer com que você ande por horas pelas mesmas áreas do jogo, tornando algo que podia ser um ponto forte em uma das partes mais arrastadas do título.

É bom usar de diferentes combinações para enaltecer os pontos fortes do seu timeÉ bom usar de diferentes combinações para enaltecer os pontos fortes do seu timeFonte:  Steam 

Outro ponto digno de nota é que o sistema de auto-save do jogo deixa bastante a desejar, já que esse ocorre apenas quando descansamos (algo que só pode ser feito em pontos específicos do mapa). Ao longo das minhas mais de 30 horas de gameplay tive três crashs e, em especial nos dois primeiros — quando ainda não havia notado esse problema, perdi alguns bons minutos de progresso. Portanto, não se esqueça de salvar com frequência.

Ruined King: A League of Legends Story pode não ser material de jogo de ano, mas entrega uma ótima experiência para os fãs de RPG e em especial para os fãs do vasto universo criado pela Riot Games ao longo de sua história. Se você se enquadra em um dos dois, e especialmente no caso de se encaixar em ambos, vale muito a pena dar uma olhada no projeto de estreia da Riot Forge.

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