Análise de LEGO Builder’s Journey

LEGO Builder’s Journey foi lançado originalmente em dezembro de 2019 para iOS, mas ganhou uma nova versão recentemente para Nintendo Switch e PC – esta última com suporte à Ray Tracing. O jogo traz um único objetivo: solucionar quebra-cabeças que envolvem construir coisas com os famosos blocos de montar.

Embora pareça simples, a forma que o game se desenvolve encanta, relaxa, e deixa com um gostinho de quero mais, já que, infelizmente, possui uma curta duração e não traz nada novo ao seu final. Confira a análise completa do jogo!

LEGO Builder’s Journey traz quebra-cabeças que envolvem a construção com os blocos de montarFonte:  Divulgação 

Montar LEGO é sempre divertido

Eu sou um fã de LEGO e costumo dizer que é um dos brinquedos mais saudáveis já inventados, uma vez que seus blocos de montar incentivam a concentração e a criatividade de seus construtores. Tamanho é o sucesso que o “brinquedo” ultrapassou barreiras e hoje em dia não é difícil encontrar pessoas de 30 a 50 anos gastando uma boa grana com sets que, no Brasil, não possuem um preço nada atrativo.

Em cima dessa premissa, LEGO Builder’s Journey coloca seus jogadores em uma jornada em que é preciso solucionar uma série de quebra-cabeças construindo coisas com os famosos blocos de montar. Isso mesmo, nada de enredo, modos de jogo, ou algo do tipo, apenas resolver puzzles atrás de puzzles, como montar um set original sem o seu manual.

LEGO Builder’s Journey simples mantém a pegada durante boa parte do jogoLEGO Builder’s Journey simples mantém a pegada durante boa parte do jogoFonte:  Diego Borges / Reprodução 

A simplicidade do game está presente em todos os momentos. Desde o início, que chega a confundir de tão simples (apenas mostrando uma peça solta e um encaixe sem bloco), até os menus, que mostram apenas as configurações de áudio e vídeo, além da possibilidade de observar se o jogo está sendo salvo. Curiosamente, é nessa tela em que é possível saber o seu progresso, já que é a única que traz a porcentagem concluída da história.

Para não dizer que não há personagens no meio de tudo isso, em certa parte dos puzzles é preciso usar um amontoado de peças, cujo jogo sugere que sejam bonecos ou criaturas. Em alguns momentos você precisa fazer com que eles atravessem de um ponto ao outro do cenário e, em outras, criar rampas para que possam escorregar até o fim das estruturas. Apenas isso.

LEGO Builder’s Journey e seus puzzlesLEGO Builder’s Journey e seus puzzlesFonte:  Steam 

Ainda sobre a simplicidade, o jogo é cruel em dar pouquíssimas dicas e elas só aparecem na parte inicial da história. É possível apenas ter uma ideia de como solucionar um puzzle observando os pedaços que se quebraram de uma estrutura ou vendo o trajeto de seu “aliado”. Mas, na reta final do enredo, nada mais é revelado, deixando o jogador “quebrar a cabeça” para encontrar a solução.

O lado bom é que não há nada tão completo ao ponto de te deixar horas sem saber o que fazer. O máximo de dificuldade que passei foi entender uma combinação de cores para criar uma estrutura, fora isso, nada ao ponto de me irritar ou fazer com que eu desistisse do game.

LEGO Builder’s Journey traz elementos relaxantesLEGO Builder’s Journey traz elementos relaxantesFonte:  Diego Borges / Reprodução 

E por falar em irritar, isso é algo que muito dificilmente acontecerá com você em LEGO Builder’s Journey. Muito pelo contrário, o game traz uma combinação de elementos que traz uma paz enorme para solucionar os puzzles. Desde uma trilha sonora bem relaxante, até estruturas pequenas, que não poluem a tela e ocupam metade do espaço.

Blocos com Ray Tracing

Para a produção deste review, testei uma versão de LEGO Builder’s Journey para PC. E, munido de uma NVIDIA GeForce RTX 2080 Ti, pude jogar o game com todas as opções gráficas no máximo, incluindo a tecnologia Ray Tracing ativada.

E, acreditem, os efeitos visuais de sombra e reflexo fazem com que a sensação seja a de estar montando um set de LEGO de verdade. Por mais que o jogo não tenha tantos elementos a serem projetados na tela, ainda é interessante ver uma peça sendo refletida em outra, além de um sistema de luz e sombra que amplia o clima de calmaria citado mais acima do texto.

Outro elemento criado de uma forma bem satisfatória é a passagem de peças pela água. Em alguns momentos da campanha, é preciso construir pontes e estruturas para atravessar os personagens e, nesse momento, a reprodução de rios e cachoeiras encanta, desde o bloco afundando, até ele sendo carregado pela correnteza.

Tecnologia Ray Tracing encanta em LEGO Builder’s JourneyTecnologia Ray Tracing encanta em LEGO Builder’s JourneyFonte:  Steam 

Com isso, a versão para PC traz um visual que a difere muito das outras versões. Tanto a lançada para celulares com o sistema iOS, quanto a do Nintendo Switch.

Jogabilidade não coopera muito

Se o visual é um dos pontos altos da versão para PC, não é possível falar a mesma coisa em relação à jogabilidade. A começar pela movimentação das peças, onde com um clique do mouse você muda a sua posição e, segurando o mesmo botão, posiciona a peça no local desejado. Se na teoria parece bem simples, na prática é um pouco caótico, principalmente na hora de manusear peças menores, como as de um único encaixe.

Outro ponto que gera debate é em relação à solução de alguns quebra-cabeças. Em um determinado momento, é preciso criar uma espécie de pista para que o personagem deslize até chegar ao ponto final. Enquanto a minha preocupação era criar algo que fizesse sentido, ou seja, uma pista única com início e fim, a solução foi um emaranhado de caminhos onde o personagem deslizou e, magicamente, fez curvas desafiando as leis da física.

Às vezes a lógica não é levada a sério em LEGO Builder’s JourneyÀs vezes a lógica não é levada a sério em LEGO Builder’s JourneyFonte:  Diego Borges / Reprodução 

Isso me levou a questionar: eu devo ser mais preciso nas construções ou simplesmente jogar um monte de blocos de uma ponta a outra e o personagem que se vire para atravessar? Essa é uma dúvida na qual o jogo não deveria criar, ou seja, deveria ser algo mais assertivo e objetivo. Pois se o objetivo é apenas colocar peça em cima de peça, a um outro jogo que faz isso com maestria: LEGO Worlds.

Apenas isso?

Essa é a pergunta que fiz quando os créditos começaram a rolar pela tela. Por mais que LEGO Builder’s Journey se venda como um simples jogo de resolver puzzles montando blocos, ainda assim senti falta de algo a mais. Mais especificamente um elemento que ajudasse o fator replay.

LEGO Builder’s Journey deixa a desejar em relação ao fator replayLEGO Builder’s Journey deixa a desejar em relação ao fator replayFonte:  Diego Borges / Reprodução 

A forma com que o jogo acaba é tão simples que, após os créditos, você automaticamente é levado para a primeira fase. Por mais que eu entenda que é um título originalmente lançado para celulares e tablets, ainda fica a sensação de que poderia ter algo a mais. Desde um simples contador para resolver os puzzles dentro do prazo, até algum modo que premiasse pelo pouco uso de peças, por exemplo.

Pelo menos o preço atual é honesto no que o jogo traz de conteúdo. A versão para PC, Steam e Epic Games Store, está custando R$ 37,99. Já no Nintendo Switch, LEGO Builder’s Journey custa R$ 101,95.

Vale a pena?

Se você é um fã de LEGO como eu, e gosta de games que fazem mais pensar do que agir, LEGO Builder’s Journey é uma excelente pedida. Entretanto, saiba que é um jogo que você pode terminar em poucas horas, e dificilmente sentirá vontade de jogar tudo de novo.

LEGO Builder’s Journey é bom enquanto dura. Pena que dura pouco!

Nota Voxel: 72

Pontos Positivos

  • Clima relaxante que poucos jogos conseguem reproduzir
  • Visual com Ray Tracing encanta
  • Ideal para fãs de LEGO

Pontos Negativos

  • Bugs na jogabilidade
  • Curta duração
  • Sem outros modos ou extras
  • Falta de atrativos após a conclusão da história

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