A guerra começou: poderio bélico e como isso poderia ser evitado

Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, China e OTAN são as principais manchetes de todos os veículos de comunicação desde o começo de 2022. Nesta madrugada (24), o maior medo do ocidente se confirmou e a Rússia começou a atacar a Ucrânia.

Se você não entende o que está acontecendo e como isso pode afetar a nossa vida, essa matéria é para você. Já se você entende os motivos dessa disputa, nós vamos te apresentar agora os perigos que envolvem essa briga entre gigantes políticos.

Uma verdadeira guerra cibernética também já ocorre, com ataques DDoS e malwares sendo enviados de todos os cantos do mundo. A espionagem é a cereja do bolo nessa briga. Mas o que estamos vendo pode escalar para uma guerra real? Qual o tamanho do poderia bélico desses países? E, por último, existe alguma solução fácil para esse problema? É o que vamos ver juntos agora.

Não vamos nos estender muito no contexto histórico, mas Rússia e Ucrânia passaram por tensões anteriores e similares durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Em 2014, houve a invasão russa à península da Crimédia, causando mais de 10 mil mortes, e o governo ucraniano acredita que o que acontece hoje é apenas uma continuação desse conflito.

Por sua localização estratégica na porção oriental da Europa, a Ucrânia serve como uma espécie de zona de segurança pela Rússia. Em 1812, por exemplo, as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram a Rússia, mas o percurso pelo território ucraniano acabou enfraquecendo o até então exército mais poderoso do mundo, o que ajudou a encerrar a hegemonia francesa na Europa. Por isso, a Rússia de Vladimir Putin acredita que a Ucrânia de Volodimir Zelensky é fundamental na resistência contra investidas militares.

Agora, tendo esse rápido contexto em mente, o que levou a tensão a aumentar foi uma aproximação dos Estados Unidos para colocar a Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN. A organização é uma aliança militar intergovernamental de 30 países liderada, claro, pelos Estados Unidos. Ou seja, com a Ucrânia na OTAN, a Rússia enxerga como um claro ataque sobre essa zona de segurança.

Dentro da OTAN, a Rússia se vê desprotegida com possíveis inimigos ficando a apenas seiscentos quilômetros de distância de sua capital cosmopolita Moscou.

Os ucranianos falam em guerra híbrida

Por outro lado, os ucranianos falam em guerra híbrida, que é essa disputa sem ação militar direta. Um dos exemplos entregues por ele envolvem os constantes ataques cibernéticos à sua infraestrutura. Entre eles, ataques de negação de serviço, o DDoS, e malwares.

Ataques DDoS servem para sobrecarregar um sistema. Como se um atacante enviasse solicitações massivas para um sistema, fazendo com que ele parasse de funcionar sem conseguir atender a todas elas. Esses tipos de ataques conseguem, por exemplo, parar usinas elétricas e serviços essenciais, como números policiais e de emergência no geral.

Em janeiro de 2022, sites do governo da Ucrânia foram tirados do ar por vários dias e o governo local culpou a Rússia. O país de Putin negou a agressão.

Estados Unidos e Rússia talvez sejam os maiores expoentes de ataques cibernéticos e programas de vigilância. Os Estados Unidos já foram expostos por Edward Snowden, por exemplo, por programas que vigiavam cidadãos do mundo inteiro por meio da internet. Ou seja, os estadunidenses possuíam e acredita-se que ainda possuam programas governamentais ativos de vigilância e ciberespionagem.
Por outro lado, a Rússia ainda tem essa questão governamental nebulosa, mas diversos ataques cibernéticos já foram atribuídos a grupos russos, como o Fancy Bear. Um grupo de hackers que realiza espionagem e infecções com malwares e ransomwares.

Putin já classificou ações como essa última, dos Estados Unidos buscarem incluir a Ucrânia na OTAN, como assédio ocidental. E ele tem um aliado forte: Xi Jinping. O presidente da China concorda com o russo e ambos possuem uma aliança forte contra esse tipo de assédio.

Guerra

Então, de um lado temos os Estados Unidos, Ucrânia e OTAN, de outro temos Rússia e China.
Todo o mundo sabe que os Estados Unidos são uma massiva potência militar. Atualmente, eles possuem mais de 1,3 milhão de militares na ativa, e mais de 17 milhões de cidadãos disponíveis para as Forças Armadas em caso de guerra. Para efeito de comparação, o Brasil possui mais de 300 mil militares na ativa, basicamente, 1 milhão de cabeças a menos que os Estados Unidos. Por outro lado, dados de 2010 mostram que o Brasil possui mais de 100 milhões de pessoas disponíveis para serviço militar, entre homens e mulheres com idade para uma convocação. Mas isso é outro papo, vamos voltar ao assunto.

Com um orçamento militar de 706 bilhões de dólares, os Estados Unidos tem a maior força aérea do mundo e a segunda maior Marinha, por isso é comum vermos o país envolvido em tensões e guerras fora de seu território. Além disso, são 5,5 mil ogivas nucleares disponíveis.

Entre suas armas mais poderosas, estão os bombardeiros B-52, B-2 e B-1. A primeira categoria compreende 75 aviões que podem carregar 35 toneladas de munições, como minas e mísseis. A segunda são veículos que parecem morcegos e podem carregar armas convencionais e nucleares, existem 20 unidades do B-2. Por último, eles possuem 60 bombardeiros B-1, que podem transportar mísseis de cruzeiro, bombas de gravidade e minas, com capacidade de mais de 34 mil kg.

Ainda sobre veículos aéreos, existem os F-22, cento e oitenta caças furtivos que voam escondidos dos radares e podem transportar duas munições de ataque direto, além de mísseis ar-solo guiados por radar. As Forças Armadas estadunidenses ainda possuem o novo F-35B, que podem carregar duas bombas guiadas com um raio de combate de aproximadamente 805 km.

Submarinos de ataque, mísseis guiados, 11 porta-aviões que parecem pequenas cidades, contratorpedeiros, cruzadores de mísseis guiados e, claro, bombas nucleares, representam, por cima, a potência que os Estados Unidos. É tanto aparato militar e poder de fogo que ficaríamos aqui mais de 1 hora para detalhar tudo.

Soma-se a força dos Estados Unidos ainda com os outros países da OTAN, que ainda compreende França, Canadá, Reino Unido e Itália, por exemplo.

Do outro lado do tabuleiro temos Rússia e China. Os dados militares de ambos os países não são tão claros, mas é sabido que a Rússia possui cerca de 900 mil militares na ativa e a China mais de 2 milhões de militares no seu Exército de Libertação Popular. Vale notar que disponíveis para serviço militar, a China ainda mais de 1 bilhão de cidadãos, segundo o britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

A Rússia tem um gasto anual de 86 bilhões de dólares nas suas Forças Armadas, já a China investe cerca de 150 bilhões de dólares, segundo a norte-americana CIA.

O país de Putin tem o maior arsenal de armas nucleares e a segunda maior frota de submarinos nucleares do mundo, além de ser o único país, além dos Estados Unidos, com uma força moderna de bombardeiros estratégicos.

putinPutin

Entre seus destaques, está um sistema pesado de mísseis intercontinentais, mísseis de cruzeiro com propulsor nuclear ‘de alcance ilimitado’, veículos subaquáticos não tripulados com propulsão nuclear, sistemas de mísseis hipersônicos de lançamento aéreo e duas tecnologias assustadoras, mas não provadas ainda.

Segundo a BBC, a primeira é um sistema de mísseis estratégicos com unidade hipersônica de planejamento. Putin afirma que o seu diferencial é a capacidade de voar na atmosfera por distâncias intercontinentais em uma velocidade hipersônica de mais de 24,5 mil km/h.

Os mísseis ainda seriam capazes de fazer manobras laterais e verticais, o que os tornam “invulneráveis” a todos os sistemas antimísseis.

A outra tecnologia seria armas a laser. O presidente russo deixou claro que suas Forças Armadas deram um passo notável na criação dessas armas, porém, não há detalhes mais claros sobre isso.

Forte aliada da Rússia, a China não fica para trás e também tem armas nucleares. Existe uma meta de ter mil ogivas nucleares até 2030, por exemplo, segundo os EUA. Entre elas, estão caças de última geração, como os Sukhoi Su-30 e os Chengdu J-10, Shenyang J-11 e Chengdu J-20. A China também aprimorou o míssil russo S-300, que é considerado um dos melhores sistemas de interceptação de aeronaves do mundo. Falando sobre tecnologia, os chineses divulgaram um protótipo próprio de caça stealth, o Chengdu J-20.

De acordo com o Global Times, os navios chineses são equipados com um canhão que usa energia eletromagnética e dispara projéteis a uma “velocidade destruidora” – mas as informações ainda não são claras e falta transparência sobre o poderia militar.

Lá em 2018, a China também falou sobre seus avanços hipersônicos. Na época, o país asiático realizou o teste de um artefato voador hipersônico, tanto para voos comerciais quanto para mísseis capazes de se esquivar de sistemas antiaéreos convencionais.

Denominado Xingkong-2 (que significa “Céu Estrelado”), o artefato chegou a alcançar 30 km de altura e uma velocidade de até 7.344 km/h. Após 5 anos de desenvolvimento, a China já possui mísseis hipersônicos que ultrapassam em cinco vezes a velocidade do som.

A China possui a mãe de todas as bombas e a Rússia o pai. Assim que os países designam os artefatos. A bomba chinesa é menor e mais leve que a norte-americana, sendo mais fácil de carregá-la. Já o pai russo de todas as bombas, é quatro vez mais poderoso que as bombas usadas pelos Estados Unidos no Afeganistão.

Por último, hoje a China já tem a maior frota naval do mundo.

ucraniaEspaço aéreo da Ucrânia hoje (24)

Com esse panorama em mente, podemos afirmar que uma guerra entre esses países pode ter consequências até irreversíveis para o planeta Terra. O poderio bélico envolvido é simplesmente o ápice que a humanidade já produziu.

Caso um ataque completo aconteça – não em áreas isoladas como vem acontecendo -, outras áreas do mundo seriam impactadas. Por exemplo, países da Europa Ocidental poderiam ter seu fornecimento de gás natural interrompido e isso poderia, por exemplo, paralisar a Alemanha. O fornecimento de gás é responsabilidade da Rússia.

Outro problema seria o fornecimento de chips, que já está bastante afetado por conta da economia e pandemia do coronavírus. Com a China em guerra, o país que o principal fornecedor mundial pode atrasar ou até interromper sua produção, e o efeito disso seria uma bola de neve gigantesca com diversos setores paralisados, desde gadgets, até veículos e máquinas gerais.

Mas como evitar que um conflito entre Rússia e Ucrânia aconteça? Antes, na visão da Rússia, isso aconteceria da seguinte maneira: Ucrânia não entra para a OTAN, frustrando os planos dos EUA, e a Rússia por consequência esfria seus movimentos militares.

Por outro lado, os Estados Unidos acreditam que a Ucrânia na OTAN com acordos específicos que agradem a Rússia também poderia esfriar os ânimos. Mas isso já foi rechaçado por Putin, até pelos movimentos recentes.

Agora, tudo isso significa que a guerra atual, nessa escala, ainda pode se prolongar enquanto os Estados Unidos continuarem buscando a Ucrânia na OTAN. O cenário também pode piorar, caso o país norte-americano busque atuar de maneira ativa e militar na disputa que vem acontecendo entre Rússia e Ucrânia. Não é possível afirmar com certeza o que vai acontecer nos próximos dias.

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